quinta-feira, 16 de julho de 2009

UUUFA! Finalmente arranjei um tempinho para poder conseguir escrever aqui.
Deixe-me falar sobre minha atual situação de quase-foragida. Ou melhor, vou fazer uma listagem de ontem e hoje.
ONTEM:
De manhã, eu fui até o mercadinho logo aqui do lado e comprei o básico que preciso para sobreviver - salgadinhos, pães, manteiga, refrigerantes, energéticos, papel higiênico e alguns salgados - e passei o resto do dia olhando para o computador e pensando sobre o quê eu poderia fazer, agora que sou livre, até que decidi ligar a televisão e fui surpreendida por algo que eu nunca imaginaria ver: meus pais na T.V pedindo, por favor, para que eu voltasse para casa. Isto foi um tremendo choque!
Eu chorei e me arrependi de ter sido tão impulsiva, mas eu superei e estou forte novamente. Eles não irão me ter de volta só por terem estado na mídia e podem até imobilizar a cidade - eu não volto para lá! Eles sabem, por que insistem tanto?
Voltando ao assunto, de tarde o dono do hotel bateu aqui na porta do meu quarto:
- Oi, eu vim perguntar se você não é aquela menina fugida de casa que está no canal 7. Na verdade, eu vim confirmar e acabo de confirmar, sim.
- Ah, é, sou eu...
- Bom, mocinha, não posso ficar te escondendo aqui, preciso que você vá embora ou terei que te entregar a seus pais.
- Não, moço, por favor, não! Eu vou embora! Só não me entregue... Por favor!
- É, e seja boazinha. Você tem 24 horas para vazar daqui e espero que vá antes. E se você me obedecer, eu nunca te vi.
- Você é um anjo!
Fechei a porta e arrumei minha mala (quase sem nada dentro) e saí para procurar um outro hotel, ou até mesmo uma pousada, só que dessa vez usando o meu disfarce.
Eram três e quinze da tarde e eu tinha que achar algum lugar para dormir antes que escurecesse.
Os relógios indicavam cinco e dezenove quando eu finalmente encontrei uma pousada relativamente agradável, e já começava a escurecer devido ao tempo frio. Mais uma noite.
Q
uando fui dormir, porém, não consegui. A culpa que se instalou sobre mim foi mais forte e eu fiz algo que eu jamais faria: saí da pousada às três e cinquenta e dois da madrugada e fui andar pelo parque. Pensando bem, foi uma loucura, do jeito que anda essa cidade. Mas, foi tão tranquilizante. Eu não consegui pensar em nada de ruim e quando voltei para o quarto, às cinco e nove, dormi até o meio-dia. Uma delícia!
E o resto se resumiu a passeios, caminhadas, novas amizades e tudo isso com apenas um disfarce que está me ajudando bastante.
Novidade: consegui um RG novo e agora poderei ir para Santos. Vou comprar uma passagem de ônibus hoje e vou para lá amanhã.
Não é necessário dizer que eu mando notícias, certo?
A independente, Incompreensão.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Oi, pai ou oi, mãe. Tanto faz: oi a quem estiver lendo.
Gostaria de pedir para que os senhores não entrassem em pânico nem achassem que eu fui sequestrada e coisas do tipo, pois nada disso aconteceu. Eu simplesmente fui embora.
Sim, embora.
Eu sou bem nova, eu sei, mas não sou burra e já cansei dessa minha vidinha podre de chata com todos me criticando. E vocês sabem muito bem sobre o que eu estou falando.
Se eu quebro um vaso sou estabanada. Se eu compro um novo, não sei economizar. Coisas desse tipo, por exemplo. Não gosto disso; vocês nunca estão contentes com o que eu faço ou deixo de fazer.
Então, pode ser até uma fase, não sei, eu fui embora e no momento devo estar a algum lugar bem longe de onde vocês estão. E não. Não me arrependo.
Espero que vocês não fiquem muito chateados, afinal quem ficaria chateado quando se tem uma filha que, segundo os próprios pais, rouba? E antes que eu me esqueça: eu não roubo. E eu estou falando sério, espero que vocês acreditem.
Ah, e para vocês não acharem que eu roubei o dinheiro de suas carteiras, eu peguei tudo o que eu ajuntei do meu trabalho de meio-período na lanchonete em frente a escola - se lembram que eu trabalho lá? Não é pouco e não é muito, mas é meu.
Não me liguem, troquei a minha linha e todas as minhas informações. Fui embora, entendam isso.
Não vivo mais aí.
Boa vida, pais.
Beijos da sua filha, agora independente.


P.S: Eu disse que não tinha roubado nada; a ração daquele cachorro-monstro do meu irmão está debaixo da cama dele. Ele fez tudo isso para que os senhores ficassem bravos comigo.
Eu não o acusei pessoalmente, pois fiquei com dó, vocês estavam bravos demais.



Estou pasma comigo mesma. Eu nunca tive coragem de fugir assim e deixar uma carta tão chocante como essa. Acho que evolui! Será que eles já leram? Onde será que eles estão? Aposto que eles não estão sentindo a minha falta... Devem estar jantando com o meu irmão em alguma churrascaria cara. Bem provavel.
Ah, encontrei uma pousada... Vou ficar aqui durante alguns dias. O preço é bom e não é tão nojenta quanto parece ser quando vista de fora. E eu só vou dormir aqui, pois eu vou andar de dia.

E talvez eu saia dessa cidade, sim...
Quem sabe eu não vou para Santos? Ou Guarujá? São bem próximos e eu sempre adorei esses lugares!
Mas, antes de tudo, eu tenho que ficar esperta. Passei a viver agora como uma foragida. Se, por um acaso, meus pais alertam a polícia, eles vão me buscar pelas ruas de SP e isso significa que eu preciso de disfarces. E de um RG novo.
Disfarce eu sei aonde posso encontrar, já o RG... Acho que sei também.

Essa sensação de ser uma criminosa é uma beleza, acho que posso viver sentindo isso para sempre!
Veremos, só o tempo irá me dizer.


Com toda essa adrenalina na veia, Incompreensão

Pode rir, pode rir mesmo, eu não ligo.
Prepare-se, há muito tempo eu não trago umas novidades como a que carrego hoje.

Se você estiver em pé, sente-se. Se estiver sentado, continue.

EU FUGI DE CASA!

Sim, isso mesmo: fui embora e deixei um bilhete. Estou, no momento, em alguma lanchonete chique, fingindo estar bebendo alguma coisa só para poder ocupar essa mesa e usar meu notebook. Eu acho que pirei, de verdade. Mas dessa vez, tenho motivos.

E só uma coisa: eu não faço a menor idéia de onde estou. Eu nunca tinha visto essa rua antes e acho que já estou a quilometros de casa. Obrigada, meu bom ônibus.
Eu não vou explicar tudo o que houve, pois eu tenho uma cópia do bilhete aqui e acho que vou coloca-la aqui, pois será mais fácil explicar a situação. Mas, antes de tudo, eu preciso ir embora daqui. Vai que eu não estou tão longe assim de casa e os meus pais me encontram?

Espere um pouco -

Incompreensão.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

- Então você, como eu, acha que isso tudo tem um futuro? Como algo que... mais que um namoro passageiro?
(Hesitando) - É, claro, é, acho que sim. Eu acredito muito em nós... Assim como...
- É isso que eu gosto em ti.
- O quê?
- Tudo.
(Beijo roubado por parte do primeiro personagem)
- E sabe do que eu gosto, em você?
- Hum, não. (franzindo a testa - um gesto que eu adoro) O quê?
- Isso.
(Beijo roubado por parte da outra personagem)

Nós não somos LINDOS? É, eu sei.
Como não há nada de muito importante OU interessante acontecendo no momento, decidi escrever aqui somente algumas "conversas" nossas. As que mais me marcaram, entende? Bom, espero que você seja uma pessoa com muita paciência, pois eu acho que lembro de todas...

Primeiro dia que ficamos; no shopping:
(Fica pensativo durante um tempo e depois hesita várias vezes em falar) - Eu preciso te falar sobre uma coisa!
(Esboça um leve sorriso, pois o completo foi contido) - Pode falar...
- É sobre mim... sobre eu, sobre você... Acho que você entendeu, não é?
(Faz cara de boba) - Não, não... O quê? Estou boiando.
- Pára de se fazer de boba. Você sabe sobre o que eu quero te falar!
(Hesita e, infelizmente, deixa o primeiro personagem perceber a hesitação)
- Calma, bom, deixe-me falar, então. Não é justo, certo? Eu quero te falar sobre algo que eu nunca fui tão sincero, em toda a minha vida. Logo que eu te conheci (Olha para a outra personagem com um sorriso muito tímido no rosto, algo que se torna muito irresistível) eu percebi que alguma coisa estava acontecendo comigo, entende? (Olha para a outra personagem, esperando uma resposta)
(Assente)
- E, bom, estava! Eu estava me apaixonando por você, eu acho. Eu não vou explicar tudo porque é cansativo e constrangedor, então vou direto ao ponto:
(Engole a seco)
- Você quer namorar comigo? Sem talvez ou depois, eu quero sim ou não.
(Hesita!!!!!!!!!)
- Eu ainda estou aqui...
- QUERO!
(Pega a mão da outra personagem) - Que bom, porque eu aindei precisando fazer uma coisa...
(Fica constrangida, pensando em outros tipos de coisas)
(Ele sorri, um sorriso adulto) - Não, não isso, sua boba. Isso.
(Eles se beijam)

Aniversário de um mês de namoro
(Telefone na casa da outra personagem está tocando e ela corre para atender)
- Alô. Quem fala?
- Eu. Aonde você está?
- Oi, meu amor. Em casa, claro, você ligou para cá...
- Isso eu sei! Em que cômodo da casa?
- Por que você quer saber?
- Fala...
- Ah, fala... Na sala da frente, por quê?
- Nada. Espera só um pouquinho.
- Espera o quê? Por quê?
- Abra a porta da sua casa. A porta da frente.
- Hã? Por que isso?
- Vai, abra.
(Abrindo a porta, vendo uma faixa escrita: "Feliz um mês de namoro, meu amor")
- Meu Deus. O que essa faixa está fazendo aqui? Como você...
(A linha cai, personagem um aparece ao lado da outra personagem)
- Feliz um mês de namoro, amor. (Entregando um anel à outra personagem)
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Não tenho nem o que falar... São tantas outras, mas estou com preguiça de escrever todas. E todas as outras são tão ou mais bonitas que essas duas. Eu realmente dei sorte com esse meu namorado! QUE BOM!
Pelo menos dele eu não tenho sobre o que reclamar. Ele é tão perfeitinho. Em todos os sentidos.
Ai, ai...
Estou com muita vontade de ficar escrevendo aqui por horas e horas, mas tenho tantas coisas para fazer que eu não sei nem por onde começar. Na realidade, eu prefiro não começar, mas tenho. Infelizmente. Tudo bem, eu tenho um ótimo namorado. E isso me faz sorrir. Ai, que felicidade.
Quer saber? Antes de virar escrava-doméstica da minha própria casa, vou ligar para ele.
Depois eu escrevo mais alguma coisa, se der tempo e se a preguiça for embora.
Incompreensão.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

FÉEEEEEEEEEEEEEEEEE-RI-AS!
Dois meses de namoro! Quase três!

Ok, não me xingue e não me atire pedras, dessa vez eu posso explicar a minha ausência: eu estive enjoada disso e não me sentia na necessidade de desabafar.
Agora, volto a ver o quanto isso é bom! É uma delícia poder escrever aqui... Todos os meus dias, sobre o meu namorado (que é o melhor do mundo), minhas amigas e minha família...
Esse blog sabe mesmo como me consolar! E isso é bom, afinal eu sempre preciso de consolos.
Sobre o que posso falar?
Bom, vou dar uma olhada por tudo que escrevi e vou citar alguns pontos e falar como é que estão atualmente, tudo bem para você?

Pontos:

"Briguei com a minha amiga, agorinha" (Terça-Feira, 21 de Abril)

Ah, sim, esta sim é uma longa história. Bom, essa minha amiga não era somente a minha amiga. Era a minha irmã, entende? A que eu nunca tive! Mas, enfim, eu sinto muita saudade dela e de tudo que vivemos juntas e espero que ela também sinta...

Nós brigamos, sim, voltamos a nos falar depois de um dia e, no dia seguinte ela foi embora para outro país. Até então, ela era a minha única amiga. Foi muito difícil e tem dias que continua sendo!
"Eu acabei de perceber que eu sou a única que ainda não tem amizades fixas, nesse ano."(Quarta-Feira, 15 de Abril)

Ainda bem que isso é passado! Não tenho muitos amigos na minha sala, mas tenho poucos que são de extrema confiança. Que bom! Eu não aguentaria ficar um ano sozinha. Adoro eles, já!

"Minhas notas estão caindo legal e eu vou ter que estudar MUITO para o segundo bimestre."

Eu não fiquei de recuperação em nada no segundo bimestre. Somente isso.

"
O meu pai está com um tumor muito perigoso na cabeça" (Sábado, 11 de Abril)
Sim, já resolvemos isso e está tudo BEM!!

Meu pai já fez a cirurgia e pôde retirar esse tumor chato! Aleluia, estamos todos sãos e salvos, aqui em casa.
Tudo certo, então!

Ah, deixe-me falar sobre o assunto que mais me traz boas lembranças: obviamente, meu namorado. Sabe o que ele me deu de presente de Dia dos Namorados? CLARO que você não sabe, então vou falar...
UMA CARTA CHEIA DE SENTIMENTOS E UM URSO DE PELÚCIA GIGANTE!
Eu nunca vi um menino dar isso para a namorada! Ele é de outro planeta. E eu adoro o planeta dele, independente de qual for. Eu chorei, tenho que admitir, e ele não esperava, que lindo!
Fiquei abraçada com ele durante uns 10 minutos, me perguntando se eu merecia alguém como ele. Ninguém disse que não, então eu continuei no abraço. Ele é perfeito.
Tirando que ele é fanático por futebol, ele é perfeito, ideal!
É o meu homem, o meu, meu e meu, só meu! E, sim, ele ri de mim por eu ser tão ciumenta com alguém que eu sei que será para sempre meu. (Palavras dele)
Adoro aqueles olhinhos dele, como os de criança carente.
Eu sei que foi bobo, mas eu precisava escrever isso aqui. Desculpe. E quem nunca escreveu coisas tão bobas ao lembrar de uma pessoa?
Estou tão apaixonada, meu caro, você não tem noção...
E isso parece, agora, ser tão bom!
Sabe do que me arrependo muito, agora? De ter falado tanta besteira sobre o amor; que ele era um sentimento ruim e que só existia para nos fazer sofrer etc
Pura infantilidade.
Quando você encontrar a pessoa certa, irá me entender.
E é por aqui que eu encerro todo esse meu resumo,

Incompreensão.

(Mais feliz do que eu poderia me imaginar)


domingo, 3 de maio de 2009

Diga "oi" a mais nova ex - solteira do pedaço! Fui no shopping sábado (dia 25/04) com ele e estamos namorando desde então. Saímos quase todos os dias e ele é um verdadeiro amorzinho comigo! E detalhe: dessa vez, estamos namorando MESMO! Não que nem as outras que eu mencionei aqui porque achava que estávamos. Tenho até uma aliança igual a dele!! Ele é bem carinhoso, bem mais do que eu imaginava, e muito tímido. Adoro garotos tímidos porque eu também sou tímida... Aquele óculos dele nunca tinha deixado eu reparar na cor linda dos olhos dele. São cinzas! Os olhos, quero dizer. Cinza mesmo! Mas, a lente não me permitia ver, pois ela é forte e eu não fico olhando para os óculos alheios. Estou sonhando acordada desde então e sorria à toa... Espero que, dessa vez, nada decida estragar minha, tão grande, felicidade! Eu vou andar um pouco no shopping com ele às 3:10, então... Tchau!

Depois te conto mais, Incompreensão.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

São seis e vinte da manhã e um cutucão forte e aparentemente incansável a obriga a despertar. Ela tenta virar para os lados algumas vezes, ainda, tentando fingir que é só mais um sonho, mas não é. Abre obrigatoriamente os olhos e vê que tem um longo dia pela frente à sua espera. Senta - se então, em um dos cantos da sua, agora, tentadora cama e pensa em vários assuntos ao mesmo tempo. Todo o passado próximo parece se tornar um pequeno curta, na manhã seguinte, que a faz lembrar de tudo. Ela se levanta, enfim, desce as escadas e prepara o seu tão especial, leite com nescau; senta - se a mesa com o seu pai, mas não abre a boca, pois ainda tem muito sono. Bebe tudo o que há em sua caneca e logo se dirige para os quartos de novo. Sobe, então, as escadas e vai para o banheiro para poder se arrumar. Põe o uniforme do colégio no qual ela estuda desde pequena e reclama do cabelo sempre que possível. Passa alguma coisa para valorizar o seu rosto e finalmente está pronta! Pega a mochila, arruma os cadernos e sai de casa. Entra no carro do seu pai e vai pensando um pouco, bem pouco, afinal, o colégio é três quarteirões distante de sua casa. Quando acorda um pouco mais e já está no final do curto caminho, ela resolve falar com o pai sobre como ambos esperam que seja o próximo dia que acabara de começar. O carro é estacionado e ela não tem vontade de sair. Puxa, então, assunto com o seu pai para tentar amenizar sua própria situação mental. Faltam cinco minutos para bater o sinal, em seu colégio, e ela se vê obrigada a sair do carro e a entrar na escola. Ela sai do carro e vira a pequena esquina que está há poucos passos do colégio e ouve, rapidamente, um estrondo vindo de trás dela. Sem enxergar detalhes, viu um caminhão amassando a frente do carro de seu pai e, sem piedade, continuava arrastando o carro pela estreita rua. Um desespero toma conta dela e chorar parece ser a única solução. Ela não queria estar ali para ver o seu pai, agora ensanguentado, ser retirado de seu próprio carro por para - médicos. Ela vira bastante sangue em apenas uma cena e não queria ver nada mais. Um outro filme momentâneo invade sua mente. Ela vê, agora, cenas de brigas e discussões que tivera com o próprio pai. Tantos xingamentos e vê, também, várias outras cenas de diversão. Tantos bons momentos. Se arrepende de ter sido tão grosseira, na maioria das vezes, e de não ter aproveitado mais ainda os inesquecíveis momentos alegres que tivera ao lado daquele maravilhoso homem à quem ela devia tudo. Ouve o sinal e percebe que a primeira aula está para começar. Uma multidão já começa a se aglomerar logo em volta ao desastre. Não sabem porque ela está chorando tanto, mas alguns deduzem. O que parecia ser tão bobo à alguns minutos, se tornou tão especial em apenas uns instantes. Desejar bom dia ao seu pai, dar um abraço ou até mesmo sair com ele parecia ser mais importante do que qualquer situação, agora. São sete e quinze e a ambulância está chegando. Já é possível ouvir o barulho que a sirene faz há alguns quarteirões. Ela senta - se na beira da calçada aonde o carro estava parado e não consegue se conter. Desabrocha em lágrimas como uma nuvem se desfaz em chuva. Os para - médicos chegam, socorrem seu pai e fazem várias perguntas à ela. Como responder? Ela também não sabe... A menina não pôde acompanhar o seu pai na ambulância e o máximo que fez, foi vê - la partir, com um destino pré - definido, sendo ele bom ou não.
E após seis meses, ela caminha pelo parque, empurrando a cadeira de rodas de seu pai. Ambos sorriem bastante e brincam, quando possível. Colocam inveja nos pais mais unidos a seus filhos. Seis meses e duas semanas depois: o mesmo pássaro de sempre, começa a assoviar e toda sua atenção é roubada por ele. Seu pai e ela ficam em silêncio absoluto, ouvindo aquele maravilhoso canto, para qual ninguém liga. Todos que passam procuram encontrar, na direção onde ambos estão olhando fixamente, algo mais interessante e bonito do que um passarinho. Algo mais moderno, talvez. Ela se vê segurando a mão de seu pai, toda cheia de cicatrizes e manchas, e começa a sorrir espontâneamente. Vê que tem ao seu lado, o melhor e mais forte homem do mundo. Esse seu pai sobrevivera a um dos piores acidentes já vistos por várias pessoas e cá estava ele, ouvindo pássaros no parque, em uma tarde de segunda - feira. Ela sorri e percebe então que não há nada mais importante do que aprender que o mais simples, com o passar do tempo, se torna sempre o que há de mais importante.
Créditos à mim. Eu que fiz, estava inspiradas e decidi postar aqui.
É fictícia, obviamente, mas, faz parte da vida de muitas meninas, tenho certeza.

Sem mais palavras; Incompreensão.