terça-feira, 14 de julho de 2009

Oi, pai ou oi, mãe. Tanto faz: oi a quem estiver lendo.
Gostaria de pedir para que os senhores não entrassem em pânico nem achassem que eu fui sequestrada e coisas do tipo, pois nada disso aconteceu. Eu simplesmente fui embora.
Sim, embora.
Eu sou bem nova, eu sei, mas não sou burra e já cansei dessa minha vidinha podre de chata com todos me criticando. E vocês sabem muito bem sobre o que eu estou falando.
Se eu quebro um vaso sou estabanada. Se eu compro um novo, não sei economizar. Coisas desse tipo, por exemplo. Não gosto disso; vocês nunca estão contentes com o que eu faço ou deixo de fazer.
Então, pode ser até uma fase, não sei, eu fui embora e no momento devo estar a algum lugar bem longe de onde vocês estão. E não. Não me arrependo.
Espero que vocês não fiquem muito chateados, afinal quem ficaria chateado quando se tem uma filha que, segundo os próprios pais, rouba? E antes que eu me esqueça: eu não roubo. E eu estou falando sério, espero que vocês acreditem.
Ah, e para vocês não acharem que eu roubei o dinheiro de suas carteiras, eu peguei tudo o que eu ajuntei do meu trabalho de meio-período na lanchonete em frente a escola - se lembram que eu trabalho lá? Não é pouco e não é muito, mas é meu.
Não me liguem, troquei a minha linha e todas as minhas informações. Fui embora, entendam isso.
Não vivo mais aí.
Boa vida, pais.
Beijos da sua filha, agora independente.


P.S: Eu disse que não tinha roubado nada; a ração daquele cachorro-monstro do meu irmão está debaixo da cama dele. Ele fez tudo isso para que os senhores ficassem bravos comigo.
Eu não o acusei pessoalmente, pois fiquei com dó, vocês estavam bravos demais.



Estou pasma comigo mesma. Eu nunca tive coragem de fugir assim e deixar uma carta tão chocante como essa. Acho que evolui! Será que eles já leram? Onde será que eles estão? Aposto que eles não estão sentindo a minha falta... Devem estar jantando com o meu irmão em alguma churrascaria cara. Bem provavel.
Ah, encontrei uma pousada... Vou ficar aqui durante alguns dias. O preço é bom e não é tão nojenta quanto parece ser quando vista de fora. E eu só vou dormir aqui, pois eu vou andar de dia.

E talvez eu saia dessa cidade, sim...
Quem sabe eu não vou para Santos? Ou Guarujá? São bem próximos e eu sempre adorei esses lugares!
Mas, antes de tudo, eu tenho que ficar esperta. Passei a viver agora como uma foragida. Se, por um acaso, meus pais alertam a polícia, eles vão me buscar pelas ruas de SP e isso significa que eu preciso de disfarces. E de um RG novo.
Disfarce eu sei aonde posso encontrar, já o RG... Acho que sei também.

Essa sensação de ser uma criminosa é uma beleza, acho que posso viver sentindo isso para sempre!
Veremos, só o tempo irá me dizer.


Com toda essa adrenalina na veia, Incompreensão

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