sexta-feira, 1 de maio de 2009

São seis e vinte da manhã e um cutucão forte e aparentemente incansável a obriga a despertar. Ela tenta virar para os lados algumas vezes, ainda, tentando fingir que é só mais um sonho, mas não é. Abre obrigatoriamente os olhos e vê que tem um longo dia pela frente à sua espera. Senta - se então, em um dos cantos da sua, agora, tentadora cama e pensa em vários assuntos ao mesmo tempo. Todo o passado próximo parece se tornar um pequeno curta, na manhã seguinte, que a faz lembrar de tudo. Ela se levanta, enfim, desce as escadas e prepara o seu tão especial, leite com nescau; senta - se a mesa com o seu pai, mas não abre a boca, pois ainda tem muito sono. Bebe tudo o que há em sua caneca e logo se dirige para os quartos de novo. Sobe, então, as escadas e vai para o banheiro para poder se arrumar. Põe o uniforme do colégio no qual ela estuda desde pequena e reclama do cabelo sempre que possível. Passa alguma coisa para valorizar o seu rosto e finalmente está pronta! Pega a mochila, arruma os cadernos e sai de casa. Entra no carro do seu pai e vai pensando um pouco, bem pouco, afinal, o colégio é três quarteirões distante de sua casa. Quando acorda um pouco mais e já está no final do curto caminho, ela resolve falar com o pai sobre como ambos esperam que seja o próximo dia que acabara de começar. O carro é estacionado e ela não tem vontade de sair. Puxa, então, assunto com o seu pai para tentar amenizar sua própria situação mental. Faltam cinco minutos para bater o sinal, em seu colégio, e ela se vê obrigada a sair do carro e a entrar na escola. Ela sai do carro e vira a pequena esquina que está há poucos passos do colégio e ouve, rapidamente, um estrondo vindo de trás dela. Sem enxergar detalhes, viu um caminhão amassando a frente do carro de seu pai e, sem piedade, continuava arrastando o carro pela estreita rua. Um desespero toma conta dela e chorar parece ser a única solução. Ela não queria estar ali para ver o seu pai, agora ensanguentado, ser retirado de seu próprio carro por para - médicos. Ela vira bastante sangue em apenas uma cena e não queria ver nada mais. Um outro filme momentâneo invade sua mente. Ela vê, agora, cenas de brigas e discussões que tivera com o próprio pai. Tantos xingamentos e vê, também, várias outras cenas de diversão. Tantos bons momentos. Se arrepende de ter sido tão grosseira, na maioria das vezes, e de não ter aproveitado mais ainda os inesquecíveis momentos alegres que tivera ao lado daquele maravilhoso homem à quem ela devia tudo. Ouve o sinal e percebe que a primeira aula está para começar. Uma multidão já começa a se aglomerar logo em volta ao desastre. Não sabem porque ela está chorando tanto, mas alguns deduzem. O que parecia ser tão bobo à alguns minutos, se tornou tão especial em apenas uns instantes. Desejar bom dia ao seu pai, dar um abraço ou até mesmo sair com ele parecia ser mais importante do que qualquer situação, agora. São sete e quinze e a ambulância está chegando. Já é possível ouvir o barulho que a sirene faz há alguns quarteirões. Ela senta - se na beira da calçada aonde o carro estava parado e não consegue se conter. Desabrocha em lágrimas como uma nuvem se desfaz em chuva. Os para - médicos chegam, socorrem seu pai e fazem várias perguntas à ela. Como responder? Ela também não sabe... A menina não pôde acompanhar o seu pai na ambulância e o máximo que fez, foi vê - la partir, com um destino pré - definido, sendo ele bom ou não.
E após seis meses, ela caminha pelo parque, empurrando a cadeira de rodas de seu pai. Ambos sorriem bastante e brincam, quando possível. Colocam inveja nos pais mais unidos a seus filhos. Seis meses e duas semanas depois: o mesmo pássaro de sempre, começa a assoviar e toda sua atenção é roubada por ele. Seu pai e ela ficam em silêncio absoluto, ouvindo aquele maravilhoso canto, para qual ninguém liga. Todos que passam procuram encontrar, na direção onde ambos estão olhando fixamente, algo mais interessante e bonito do que um passarinho. Algo mais moderno, talvez. Ela se vê segurando a mão de seu pai, toda cheia de cicatrizes e manchas, e começa a sorrir espontâneamente. Vê que tem ao seu lado, o melhor e mais forte homem do mundo. Esse seu pai sobrevivera a um dos piores acidentes já vistos por várias pessoas e cá estava ele, ouvindo pássaros no parque, em uma tarde de segunda - feira. Ela sorri e percebe então que não há nada mais importante do que aprender que o mais simples, com o passar do tempo, se torna sempre o que há de mais importante.
Créditos à mim. Eu que fiz, estava inspiradas e decidi postar aqui.
É fictícia, obviamente, mas, faz parte da vida de muitas meninas, tenho certeza.

Sem mais palavras; Incompreensão.

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